09. Tania Lemke – Poesia

 

Hoje vi  um anjo chorar. Hoje vi minha amiga amada chorar!

E vou contar a vocês, pois assim compreenderão que anjos existem, na forma humana, bem perto de nós.
Minha amiga, saindo para seu almoço, deparou-se com uma senhora de idade bem avançada, seus setenta e poucos anos. Esta senhora, entregava papeizinhos às pessoas, fazendo propaganda de algo, se não me engano. Estava ali, de pé, na rua, debaixo do sol escaldante deste dia seco, na cidade de São Paulo, trabalhando.
Minha amiga, penalizada, parou para conversar com ela. E questionou o que fazia ali parada entregando os papeizinhos, questionou-a sobre almoçar, no que a senhora respondeu: – Não, ainda não, vou almoçar lá pelas quatro horas da tarde.
Minha amiga já emocionada, perguntou a ela se ela tinha algum dinheiro: – Tenho sim, tenho três reais.
Três reais… era o que aquela senhora velhinha tinha em sua bolsa, para seu almoço. Me questiono agora, como ela iria comer e depois voltar para sua casa? Com três reais não faria isto. Ou não almoçaria ou iria a pé para casa.
Minha amiga, que já é um anjo bom em minha vida, foi um anjo amigo e guardião desta senhorinha, deu-lhe o suficiente para um almoço digno e um tanto mais e deu-lhe carinho e esperança de dias melhores. Coisas que a maioria das pessoas não dão, pois não enxergam, não vêem!  Depois, comigo, sozinha, minha amiga querida chorou! Como um anjo!
Quantas pessoas devem ter passado pela senhorinha sem perceber sua presença, sem importar-se?
Onde estará sua família? Terá filhos? Netos? Bisnetos talvez?
Terá amigos? Visinhos?
Como alguém deixa uma senhorinha assim desprotegida, trabalhando de forma sub humana nas ruas desta terra de concreto frio e ar irrespirável, vagando pelas ruas tumultuadas de São Paulo? O que seria do dia desta senhora se não tivesse esbarrado com um anjo? E o que é feito dela nos outros dias?
Anjos existem perto de nós mas me pergunto agora, quem foi mais anjo: minha amiga que não deixa cenas como estas passar em branco ou a velhinha senhora que nos emocionou e tocou nosso coração?
Olhemos por nossos irmãos, tão carentes. Carentes de tudo. Meu Deus, quando é  que deixaremos de ser tão frios? Quando nossos valores irão mudar? Quando nos tornaremos dignos do AMOR de Nosso Pai?
Ajudemos aos irmãos que estão ao nosso alcance, pertinho de nós, são tantos, olhe, perceba, tire sua venda, eles estão todos ali nas esquinas. Não precisamos de alarde, de grandes peripécias, nem de divulgação, nem de holofotes. Precisamos de coração. Apenas de AMOR no coração.
Mesmo que nada tenhamos, temos muito mais do que eles. E se não pudermos doar dinheiro, bens, roupas, alimentos, podemos ao menos doar amor. Amor, respeito  e consideração.
®Tania Lemke
29/07/2008
Este fato ocorreu de verdade, hoje.
Dedico à minha maninha querida, com amor!

Mistérios 

Dentro d’alma

Mistérios escondidos sobrevivem

Aos percalços de nossas emoções.

Escondemos nossos anseios

Da indulgência humana,

Mas jamais poderemos nos esconder de nós mesmos!

Viver é uma eterna labuta

Entre o segredo retido no fundo do peito

E a coragem de expô-lo e tentar vivê-lo.

Se nos arriscarmos,

Teremos a certeza do sim ou do não!

Se jamais colocarmos para fora nossos anseios,

Viveremos na eterna dúvida

Do “será que teria dado certo?”

Prefiro correr riscos

A ausentar-me da vida!

 

®Tania Lemke

Minha Dor

Um coração amargurado
Na penumbra do dia nublado
Traz tua lembrança forte em meu peito
E choro no canto da sala meio sem jeito…
Por amar demais perdi tua voz pela casa
E teu sorriso franco atrás de minha asa.

Como sinto falta de ti, anjo de minha vida
Como doeu tua saída sem despedida
O desmazelo matutino, cabelo desregrado
Um leve mal humor de mal acordado
A despedida na porta, por mim abençoado
A mochila nas costas, o sorriso de lado…

 

 

 

 

Que saudade de teu jeito de agradecer: “valeu”!
Que triste olhar o quarto vazio, o meu e o teu…
Hoje sei o quanto valia tua presença amada
E sei o que perdi, sendo intransigente e mal humorada.
Nem um oi ou bom dia de ti recebo hoje em dia
E isto, meu anjo, tira toda a minha alegria…

A vida não foi muito fácil para mim, minha criança…
As escolhas que fiz nem sempre levaram-me à bonança,
A correria da vida que exige demais de nós
Levou-me à tentativa inútil de dasatar os nós
E na maratona de vida desumanamente a mim imposta,
Tempo não tive para acarinhar-te mais e mais e dizer-te:
Filho, queria tudo na vida, menos perder-te!

Tania Lemke

15/05/05

 

Existem duas pessoas no mundo a quem amo incondicionalmente.

Meus dois filhos.

Este poema fiz para meu caçula, Natan!

Com muito amor, de uma mãe que tentou acertar, mas que muitas vezes, errou!

Tan


 

Barco Ancorado

Um dia procurei por ti alucinadamente,

Naveguei por mares e ares, vaguei por ai,

Solta, simples deriva, desatentamente.

 

Quantos faróis brilhando perdidos,

Cintilando sua luz e encantando-me

Com seu canto lúdico e afetos prometidos…

 

Finalmente encontrei-te encanto meu…

Nada mais busco, aporto ao teu cais, sou tua,

Inteira, ancoro-me ao lado teu.

 

Marola suave que penetrou pela escotilha,

Preencheste todos meus vagares vazios,

Sou teu oceano, és minha segura ilha! 

 

Navegue-me se quiseres, sempre que a mim quiseres…

Estarei aqui à tua espera ave liberta,

Aportada, ancorada, para sempre me veres.

 

Não quero mais navegar a não ser dentro de ti,

 Nada mais procuro pois teu laço me arrasta

E teu nó, marinheiro, me basta!

 ®Tania Lemke

05/06/04

Além Mar

Encontro-me sem rumo,

efeito de teus lusos ais!

Pois sabes, amor meu,

Tens em mim teus desejos,

Tenho em ti meus delírios e até mais…

Ao som do fado me enlaças

Meu corpo entrego ao teu, me abraças!

Perco-me de mim em ti,

Dilaceras, estraçalhas, amas,

Tomas para ti o que é teu!

Poema dos doces ventos

Do além mar, ao longe,

Amo-te pois… por demais!

®Tania Lemke

07/05/04 

Amor de Minh’alma

Meu grande e verdadeiro amor…

És o sol a nascer em meu noturno

A luz que incandesce meu pulso

E faz com que a ti escreva

Num narrar simples, descreva

Tua alma em meu sentir

e meu eterno amor por ti.

Cândida criatura divina

Vinda do orvalho da noite,

Gota translúcida de vida

A gotejar em meus lábios

plenos de sabor de ti!

Como te quero!

Como te espero!

Teu retorno aos meus braços

Sempre glorifica o meu amor

E transforma-me em tua serva,

Escrava de teus delírios

Nua e despida diante de ti,

Alma, corpo e coração.

Estou aqui no mesmo leito que deixastes

A aguardar teu breve retorno,

Pois em meus braços repousas

E em meu colo sacias a sede de teu ser.

Nossos lençóis estão sedentos de nós

Vem, amor puro e verdadeiro,

Sou tua por inteiro

Sabes disto e sabes que aguardo

Teu colo, teus braços, teus beijos

Te aguardo e me guardo

Pois sabes que só eu te faço feliz

E que só eu sou só tua, amor!

Vem… já estou pronta para ti amor.

Pois és mais que um homem,

Mais que um desejo,

Mais que minha loucura e meu delírio.

Além de desejar-te alucinadamente

E ter meu corpo febril de paixão

e por ti dormente,

És o amor de minh’alma

meu amor, simplesmente!

 

®Tania Lemke

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Bom… Senso???

Você abusou do meu pobre a acabado bom senso
Aquele que eu ainda possuía antes de conhecer seus beijos
Hoje tão arrasado e insosso, fraco e tenso…
Ciso? Não tenho mais, só possuo ardentes desejos
Inconseqüentes
Carentes
Efervescentes!
“Socorro, salve-se quem puder, a dama é só chama em ação!”
Você deixou tórrido meu coração
E uma vontade latente na boca de quero mais!
Vem logo, vai, para de brincar de esconde-esconde
Vem logo, você sabe bem onde
Conhece meus caminhos de cor!
Juízo? Conselho bom pra adolescente
Não para uma mulher indolente e neste momento,
totalmente inconseqüente!
Vem, a porta está aberta, entra sem bater
Você sabe bem o que fazer
Não precisa muito para me enlouquecer!
Basta só
Você…
Vem!

®Tania Lemke

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Eu Ego!…

Escrevo hoje, meio poema, meio crônica,
Falando sério, embora cômica,
Usando o conhecido humor inglês
Para aquele de cuja vaidade é freguês,
O tão famoso, “eu me amo”!
– Eu Ego, me chamo!
Sou lindo, por dentro e por fora
Se não está feliz aqui, vá embora!
Sou mais eu, dou-me beijos calorosos
Do ombro aos dedos, cheirosos!
Nunca erro, enganar-me talvez
Sou sucesso, a “bola da vez”,
Eu adoro minha fama,
Tenho foto  atrás da cama,
E espelhos pela sala.
Mas sou gente e bem legal,
Para amigos, fenomenal!
Faço pose de “bacana”,
Como lixia, jamais banana
Pois não perco nunca a pose…
Afinal, sou visto em “close”
Eu agrado qualquer um
Pois defeito, eu?…nenhum!
As mulheres são esporte
Ao meu lado? Dando sorte!
Tem que ser um avião,
Para entrar no meu “carrão”!
Para estar à minha altura,
Ter cabelos na cintura
e QI, quase nenhum,
Afinal, um ser comum!
Nunca ouviu falar de mim?
Coitadinho, está ruim,
Desinformado, coitadinho,
Pergunte ao seu visinho!
Vai dizer meu nome inteiro
Pois me inveja, o aventureiro.
Mulherada, aqui estou,
Eu Ego Narciso Myself, eu sou!

®Tania Lemke

 

Este poema fez parte da Ciranda Vaidade, Delírios Plurais, de Paola Caumo e Jorge Humberto. 

Contatos: 
tanialemke_arte@yahoo.com.br      dicasdetan_tanialemke@yahoo.com.br 

 

 

 

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